Casinha no Porto
Porto Portugal 2011-13

Diario Design AIB architecture Espaco de Arquitectura Diário Imobiliário A10 magazine IHRU Diário Imobiliário II Porto Vivo Abitare EN Abitare IT DiarioDesign

Este projecto parte do pressuposto que as obras de pequena escala também podem ter impacto na recuperação da cidade. A Casinha situa-se num pequeno lote triangular na Rua dos Caldeireiros, no centro do Porto, Portugal, literalmente o espaço sobrante entre edifícios de direcções distintas. Tem cerca de 57 m2 divididos em três pisos e meios-pisos, com uma única frente de 4 metros (o vértice oposto tem 75 cm). A intervenção procurou devolver ao edifício o seu carácter original, com alterações mínimas. Estruturalmente, a obra resumiu-se à substituição e consolidação de alguns elementos. Na fachada, foram realizadas obras de conservação, respeitando-se as características construtivas tradicionais: reabilitaram-se as superfícies de reboco e substituíram-se os caixilhos existentes por novos, em madeira. No piso térreo, manteve-se a aparência “imperfeita” da pedra pintada, testemunho da passagem do tempo e meio de comunicação com a envolvente degrada desta zona da cidade. A intervenção na cobertura consistiu na recuperação de duas asnas de madeira e substituição dos restantes elementos com características idênticas às originais, incluindo a reconstrução das ripas que “seguravam” o estuque do tecto, agora tornadas aparentes. Mesmo mantendo-se a forma do telhado, criaram-se novas entradas de luz e acrescentou-se isolamento térmico e subtelha. A organização dos espaços interiores pautou-se por uma intervenção mínima que permitiu manter na generalidade a disposição espacial existente. Desse modo, controlaram-se os custos da obra e respeitou-se a tipologia original. Foram “subtraídas” algumas intervenções que foram descaracterizando o edifício ao longo do tempo (rebocos excedentes, tectos e paredes-falsos). O processo de “despir” as paredes e os tectos tornaram aparentes as texturas dos materiais, unificados pela cor branca, e permitiram reencontrar antigas comunicações com as casas vizinhas. Estas “descobertas” inspiraram a criação de pequenos nichos que acentuam a relação recíproca entre arquitectura, objectos e apropriação. Pontualmente, foram introduzidas algumas peças contemporâneas, tais como loiças e ferragens, conseguindo-se um equilíbrio entre elementos novos e antigos. A intenção de tornar aparente o “esqueleto” da casa foi também introduzida na zona de arrumos no rés-do-chão e nos sanitários nos meios-pisos (lavabo e banho), que foram deixados a “nu”, em cimento queimado. Numa obra desta dimensão, estas simples operações permitiram “ganhar” área, pé-direito e conferiram à pequena casa um padrão de conforto e qualidade da habitação condizente com um modo de vida actual. No momento do início da obra, grande parte do conjunto edificado desta rua encontrava-se num estado avançado de degradação. Constatou-se que a Casinha acabou por impulsionar a reabilitação de alguns edifícios vizinhos, onde foram ocorrendo intervenções modestas como o arranjo dos telhados ou a pintura das fachadas, bem como obras mais profundas de conservação e restauro do interior.

Video of Paulino Damiao's photo session. Filmed and Edited by Samuel Buton, music by Voxels "The Feeling" (TopBillin 2011)

Photography © PROMPT Collective


 


 


 


 

<font color=#ABABAB>Guedes</fcolor>
© Ines: Guedes

<font color=#ABABAB>Guedes</font>
© Ines: Guedes

<font color=#ABABAB>Guedes</font>
© Ines: Guedes