Luanda por Terra Água e Ar
18' / 2012 / Realizado por Paulo Moreira / Editado por Pedro Lino

"Luanda por Terra Água e Ar" apresenta histórias de vida de cinco cidadãos, moradores de um dos bairros informais mais centrais de Luanda, Chicala, que, cada qual à sua maneira, encontraram o seu lugar no mundo. Muamby é um estilista com uma carreira curta mas, até ver, bem sucedida. Etona é um artista representado em dezenas de colecções privadas e institucionais. Neves concilia a carreira militar com o gosto por livros de história, sobretudo focados na guerra pela independência. Nelo é artista plástico e trabalha em produção cultural em várias áreas, desde o cinema à música, ao teatro e à instalação. Bia é a única mulher entrevistada no filme, mas vale tanto como todos os homens. É enfermeira num hospital público e estudante universitária no período nocturno. É mãe de cinco filhos (as duas mais velhas estudam no Brasil). Tem casas e lojas alugadas. Sempre que pode, vai à China comprar mercadorias para vender nos 3 mercados onde tem bancadas, cada qual com a sua trabalhadora assalariada.

O filme dá voz a estas personagens do dia-a-dia, percorrendo o contínuo urbano da cidade. Mostra, simultaneamente, imagens de lugares cuja memória já foi, está a ser, ou será apagada pela febre de ‘progresso’; ao mesmo tempo, dá a conhecer lugares ainda sem memória, à espera de ter uma vida. Vemos o descampado do antigo Mercado do Roque Santeiro, desmantelado em 2010, quando era o maior mercado ao ar livre em África. Vemos o Elinga Teatro, principal pólo cultural da cidade, em vias de desaparecimento depois da sua desclassificação como monumento histórico e posterior apresentação do projecto imobiliário que o substituirá. Vemos a Cidade do Kilamba Kiaxi, a Sul de Luanda, cuja primeira fase se desenvolve ao longo de uma extensão de 1.000 hectares, num total de 710 edifícios e 20.000 apartamentos. Vemos os bairros do Zango e do Panguila, onde têm sido realojadas milhares de famílias vindas das zonas mais centrais.

Dez anos após o final da guerra civil, espera-se que o filme ‘Luanda por Terra Água e Ar’ seja um documento fiel ao momento de transformação que a capital de Angola atravessa.

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English version

Luanda by Land Water and Air
18' / 2012 / Directed by Paulo Moreira / Edited by Pedro Lino

"Luanda by Land, Water and Air" presents stories from the lives of five citizens, all residents of Chicala, one of Luanda’s most central informal settlements, who have made a place for themselves in the world, each in their own way. Muamby is a fashion designer with a nascent – but so far successful – career. Etona is an artist whose work is present in dozens of international private and institutional collections. Neves manages to balance his military career with a love of history books, especially those recounting the war for Angola’s independence. Nelo is a multivalent artist, working in several areas of cultural production, from cinema to music, theatre and installations. Bia was the only woman interviewed for the film, but easily equal to all the men. She’s a nurse at a state-run hospital by day and a university student by night. She’s also a mother of five (her two eldest daughters are studying in Brazil). Bia owns houses and shops which she rents. Besides this, whenever the chance arises, she travels to China to buy goods which she sells at the stalls she owns in three different markets, each with its own paid employee.

The film gives voice to these everyday characters, whilst covering the Luanda’s urban continuum. It intercalates images of places which have been – or are in the course of being – erased by the fever of progress with places yet to contain any memories and awaiting a life of their own. We see the empty field which used to hold Roque Santeiro, Africa’s largest open-air market until its dismantlement in 2010. We see Elinga Theatre, the city’s main cultural hub, on the verge of disappearing following its declassification as an historical monument and the presentation of a real estate project to take its place. We see Kilamba Kiaxi City, to the South of Luanda, with its first phase of construction comprising a total of 710 buildings and 20,000 apartments. We visit the Zango and Panguila, resettlement colonies, which have had to accommodate thousands of families relocated from the city’s more central areas.

Ten years on from the end of the Angola’s civil war, it is hoped that “Luanda by Land, Water and Air” might present a faithful depiction of the country’s current trajectory of transformation.

Teaser in PT

Teaser in EN