Two African Contexts in Europe and Beyond
Chicala and Cova da Moura, 2011 (not published)

The following visual essay shows in parallel two urban areas: to the left, Chicala 2 in Luanda (Angola) and to the right Cova da Moura, in Amadora (Portugal). Both areas were formed simultaneously, resulting from migratory phenomena in the post-independence period of Portugal’s ex-colonies in Africa.

The photographs were taken by anonymous residents, at the request and of the responsibility of the author during study visits to both locations in July and August 2011. The exercise is meant to understand the way the neighborhoods function, through the eyes of the local population – someone not belonging to those contexts would run the risk of registering their own personal, partial and subjective perspective (that is, if we even were able to gain permission to register such contexts).

The objective of this essay is not to present a “theory” about the social and urban decontextualization associated with migratory flux between Africa and Europe. It seeks to problematize the border between the particularity of typical situations resulting from the interplay between arquitecture, social customs and the intrinsic ability of humans to find “habitat” solutions. This essay has an experimental character, and is part of an ongoing study of Luanda, that seeks to reveal the potential of practical methods in the process of architectural research.

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versão Portuguesa
Dois Contextos Africanos na Europa e Mais Além

O seguinte ensaio visual mostra em paralelo dois núcleos urbanos: à esquerda, a Chicala 2, em Luanda (Angola) e à direita a Cova da Moura, na Amadora (Portugal). Ambos os núcleos foram formados em simultâneo, resultado do fenómeno migratório no período pós-independência, nas ex-colónias portuguesas em África.

As fotografias foram produzidas por residentes anónimos, a pedido e sob a responsabilidade do autor, durante visitas de estudo realizadas a ambos os locais, em Julho e Agosto de 2011. O exercício tem como intuíto compreender o modo de funcionamento dos bairros, através dos olhares da população local – alguém não pertencente àqueles contextos correria o risco de registar a sua perspetiva pessoal, parcial e subjetiva (isto se, antes de mais, conseguisse permissão para registar tais contextos).

O objetivo deste ensaio não é apresentar uma “teoria” sobre a descontextualização social e urbana associada ao fluxo migratório entre África e a Europa. Procura-se problematizar a fronteira entre a particularidade de situações típicas resultantes do entrelaçamento entre arquitetura, hábitos e costumes e a capacidade intrínseca aos seres humanos de encontrar soluções de habitat. Este ensaio tem um caráter experimental, está enquadrado num estudo em curso sobre Luanda, que procura potencializar métodos práticos no processo de investigação arquitetónica.

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image captions (PT/EN)

01: A Chicala 2 e a Cova da Moura têm cerca de 6000 habitantes. Há semelhanças no modo de crescimento das malhas urbanas, a partir da Rua Principal no sentido Este-Oeste (contínuas, metaforicamente, nesta imagem). De notar a presença de equipamentos coletivos ou indústrias que pontuam o padrão habitacional e comercial, frequentemente interligados. Repare-se no material das coberturas, telha à portuguesa ou chapa à africana.

Chicala 2 and Cova da Moura have about 6000 residents. There are similarities in the kind of growth of their urban fabrics, starting from Rua Principal (Main Street) in the East-West direction (continuous, metaphorically, in this image). Note the presence of collective or industrial facilities that punctuate the housing and commercial pattern, frequently interlinked. Notice the roofing material, Portuguese style shingles or the African style zinc.

02: O limite, com arvoredo circundante. Asfalto em melhor estado em Luanda, onde o circuíto é mais controlado, impossível inverter a marcha.

The border, with surrounding trees. Asphalt in a better state in Luanda, where traffic is more controlled, not allowing u-turns.

03: As Ruas Principais: terra na Chicala e asfalto na Cova da Moura. Alguma bagunça nos postes e cabos de eletricidade.

The Main Streets: dirt road in Chicala and asphalt in Cova da Moura. The electricity poles and cables are a bit messy.

04: “Janela aberta” é o nome dado às lojinhas pertencentes a casas particulares, uma forma de aumentar o rendimento da família. Outras vezes, as janelas estão fechadas, bem fechadas.

“Janela aberta” (opened window) is the name given to the little stores belonging to private residences, a way of increasing family income. In other instances, windows are closed, very closed.

05: Estacionamento em espinha ou paralelo, conforme a situação. Tijolo e telhadinho à portuguesa.

Parking em espinha (on a fishbone) or paralelo (parallel) depending on the situation. Brick and roofing in the Portuguese style.

06: Bancadas de madeira das quitandeiras. O termo deriva de Kitanda, uma palavra que em kimbundo significa mercado ou feira.

Wooden benches of the quitandeiras. The term derives from Kitanda, a word in kimbundo which means market or fair.

07: Portões com picos por causa da segurança. Rapariga grávida ou talvez ainda não.

Gates with spikes for security purposes. A pregnant girl or maybe not yet.

08: Bate-chapas, um negócio próspero.

Bate-chapas, a prosperous business (metal reseller, literally “metal beater”).

09: Grelhados na rua, re-aproveitando recipientes metálicos, tipo jantes de carro com ferrinhos soldados a fazer de pernas.

Barbeque on the street, reusing metal recipients, like hub caps with iron rods welded on for legs.

10: Há de tudo no “comércio tradicional”.

There is a little of everything in “traditional commerce”.

11: Os quartos às vezes são salas e até cozinhas. Repare-se, por exemplo, no fogão ao lado da cama ou no frigorífico ao lado da televisão.

Bedrooms are sometimes living rooms and even kitchens. Notice, for example, the stove next to the bed or the refrigerator next to the television.

12: Balcão arredondado e bebidas em arcas frigoríficas.

A rounded counter-top and cold drinks in coolers.

13: Tijoleira à portuguesa em África. Bwé de mulheres.

Portuguese style tilling in Africa. Lots of women [bwé – Portuguese slang from Angola].

*translation by Janet Gunter


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